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A política sob o prisma da literatura

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adriana e reda

Num encontro inspirado, o Grupo Golda Meir, do Fundo Comunitário do Rio de Janeiro, reuniu na noite do dia 12 de abril, dois destacados escritores: a romancista carioca  Adriana Armony, doutora em Letras pela UFRJ, e o embaixador de Israel no Brasil, Reda Mansour, israelense, druso, diplomata e poeta, doutor em História do Oriente Médio e mestre em administração pública.

Mais de 60 convidados tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida pessoal e as memórias particulares dos convidados especiais do evento, que aconteceu na residência de Claudia C. Chor, presidente da Divisão Feminina do Fundo Comunitário. A presidente do Grupo Golda Meir, Monica Schreiber, abriu a noite dando boas vindas a todos e falando sobre o trabalho realizado pelo Fundo Comunitário. Simone Rothstein, ativista, foi a mediadora do encontro.

Adriana Armony – autora de Judite no País do Futuro, um livro que conta a história sobre a avó da autora, que emigra da Palestina para o Brasil após a Primeira Guerra Mundial – visitou pela primeira vez Israel este ano e relatou como ficou emocionada em sua visita a Sfat, cidade natal de sua avó.

“Escrevi o livro em 2008, sem conhecer Sfat, mas em 2015 pude “voltar” a essa cidade. E fui  em Purim, uma data  onde encontrei as pessoas fantasiadas nas ruas, e onde tive a oportunidade de conversar com rabinos e acompanhar a festa em uma Sinagoga. Foi tudo muito mágico”, disse a escritora.

Reda Mansour, o embaixador mais jovem da história de Israel, contou que sua família morava há séculos nas montanhas de Carmel, em Usfia, e vivia da agricultura. Mas, segundo ele, foi somente em 1937 que os drusos tentaram os primeiros contatos com os  judeus, do Kibutz Yagur. “Meu avô tem 103 anos, sempre viveu no mesmo lugar, mas sob o domínio de três governos diferentes: Turco, Inglês e agora Israelense”.

“Crescer numa comunidade árabe em Israel foi complicado. Se há homens-bomba, andar na rua tendo rosto e nome árabes é um perigo. A gente pode ser vítima de um terrorista palestino ou das forças de segurança”, explicou ele.

Mansour  teve seu primeiro poema publicado em uma revista israelense, aos 16 anos, quando, segundo ele, percebeu que tinha algo diferente em seu modo de pensar sobre a vida. O amor, tema de seus primeiros poemas, foi cedendo espaço para o existencialismo em sua obra literária, que já conta com a publicação de quatro livros de poesia hebraica.

A noite foi de intensa participação entre palestrantes e convidados, sendo que, além do tema proposto, muito se falou sobre as relações entre Brasil e Israel e o ressurgimento do antissemitismo, principalmente nas redes sociais, registrados no último conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.

Adriana Armony fez uma analogia com a história bíblica de David e Golias, onde percebeu que houve uma inversão dos personagens. “Hoje, Israel é visto como Golias, o mais forte e poderoso, e os palestinos, como David, o menor e mais fraco”.

Reda Mansour retrata o conflito entre Israel e palestinos em seus poemas e um deles fala da relação de um pássaro com uma árvore, onde o pássaro é o filho que sai do ninho para estudar, viajar e servir ao exército, mas ao final volta sempre para os braços de sua mãe, que no caso é a árvore. “Meus poemas são símbolos da cultura drusa e nosso sistema social é algo muito interessante”.A noite ainda contou com entrega de diplomas para as ativistas do Grupo Golda Meir, confeccionados em Israel.

Claudia Chor convidou as ativistas para a conferência da Divisão Feminina Internacional – Mifgash, que acontece em Israel de 3 em 3 anos e será realizada no próximo dia 11 de junho. Serão 5 dias com trocas de experiências entre ativistas de todos as partes do mundo.
O presidente do Fundo Comunitário do Rio de Janeiro, Ilan Goldman, fechou a noite com palavras inspiradoras, citando as mudanças de comportamento em relação aos árabes e judeus mais ortodoxos que ao longo das últimas décadas, permitiram às mulheres, estudarem e participarem de eventos literários.

Falou da importância da contribuição individual ao Fundo Comunitário/ Keren Hayesod, independente de um familiar já ser contribuinte.  Destacou a “responsabilidade de pertencer” de cada um.

Por fim fez uma analogia com a história contada em Pessach que fala de quatro filhos: o sábio, o perverso, o tolo e aquele que não sabe perguntar. “Devemos fazer com que o filho sábio traga seus irmãos para a nossa causa, pois somos todos,  um único povo”, finalizou.