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Vale do Silício do Oriente Médio floresce em Israel

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Leis flexíveis e espírito de inovação fazem o país se destacar, relata livro Centenas de empresas iniciantes são criadas; gigantes de tecnologia instalam importantes centros de pesquisa

CAMILA FUSCO
FOLHA DE SÃO PAULO

Com 7,1 milhões de habitantes e 8.052 empresas de base tecnológica, Israel é considerado o berço de inovação do Oriente Médio.

Gigantes de tecnologia, como Google, Intel e Microsoft têm no país alguns de seus principais centros mundiais de pesquisa e desenvolvimento. Centenas de empresas iniciantes (startups) florescem a cada ano com projetos que vão de energia limpa a tecnologias complexas de segurança para internet.

Aos olhos dos especialistas, a inclinação dos habitantes por tecnologia de ponta e por empreendedorismo está longe de ser apenas acaso.

O “Vale do Silício do Oriente Médio” é resultado da conjunção de fatores como escassez de recursos naturais, necessidade de proteção e até a cultura militar.

Essa é a tese do livro “Nação empreendedora”, que chega no Brasil, pela editora Évora, no mês que vem.

Escrito pelos americanos Dan Senor e Saul Singer, o livro tenta explicar algumas das razões pelas quais Israel desenvolveu o espírito empreendedor e atingiu a condição de país que mais recebe investimento em capital de risco (venture capital) por habitante do planeta -US$ 255, o dobro dos EUA.

“As pessoas são expostas ao empreendedorismo muito cedo em Israel. Desenvolvem autonomia de decisão no serviço militar obrigatório e aplicam como empreendedores”, afirma Senor.

Esse será um dos temas discutidos pelo autor na viagem ao Brasil, em abril, e servirá de inspiração para programas de fomento para o empreendedorismo.

Um deles é o Binational Industrial Research & Development, programa conjunto de fomento do governo de Israel e dos EUA para novas tecnologias industriais, que já investiu quase R$ 8 bilhões em cerca de 800 projetos.

“O israelense aprende cedo que falhar não é vergonha. Ele não tem medo de inovar. É daí que podem surgir boas ideias”, diz Senor.

RETENÇÃO

Apesar dos triunfos apontados por Senor e Singer, Israel tem algumas questões não respondidas sobre o potencial de nutrir e reter grandes empresas dentro do país.

Praticamente todas as empresas de tecnologia, de internet ou de telecomunicações, já adquiriram bons projetos criados em Israel. À medida que começam a despontar no mercado com produtos interessadas, são imediatamente compradas pelas companhias ocidentais.

São poucos os exemplos de companhias que chegam a sair do estágio inicial e se mantêm independentes. Um desses casos é a farmacêutica Teva, que hoje fatura mais de US$ 10 bilhões.

“Tecnologia e empresas com potencial para crescer existem, o desafio é ampliar o volume de capital de risco e de compra de participação em empresas localmente. Não é improvável o próximo Google vir de Israel.”

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