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HAGIT YASO

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Hagit Yaso

Privilégio! Essa é a palavra que melhor descreve a sensação dos cerca de 50 convidados que compareceram ao evento das anfitriãs Eliane Gottlieb, Eva Goldman e Sheila Najberg, em prol do Fundo Comunitário RJ, no último dia 12.

Esse pequeno grupo foi brindado, na residência de Eliane e Marcel Gottlieb, com um bate-papo e uma apresentação exclusiva da cantora etíope-israelense, Hagit Yaso. Vencedora do reality show musical Kohav Nolad, em 2011, Hagit se tornou um fenômeno da música israelense. No ano passado, ela fez sua primeira turnê internacional, se apresentando por várias cidades dos EUA. Em Los Angeles, cantou em dueto com Charles Fox, autor da canção “Killing me Softly”.

Hagit veio ao Brasil com o apoio do Consulado e da Embaixada de Israel, para apresentações em São Paulo, Porto Alegre e Rio.  Aos 24 anos de idade, ela impressiona pela voz cristalina e pelo orgulho com que conta sua trajetória de vida e a saga de seus pais, um dos primeiros etíopes a imigrarem para Israel. Com a notoriedade alcançada após vencer o programa de TV, a jovem cantora e seus pais foram convidados à residência do presidente Shimon Peres, para discutir as questões relacionadas à imigração de etíopes para Israel.

No evento do FCRJ, Hagit demonstrou em cada palavra o orgulho que sente dos pais. Ela cantou, entre outras, uma canção em homenagem ao pai e disse que está realizando seu sonho. Há um ano atrás, Hagit se apresentou na Etiópia e diz que se sentiu em casa, apesar do medo de seus pais, que saíram de lá há 30 anos.

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Hagit com as anfitriões da noite

Veja a seguir trechos da fala de Hagit Yaso, no evento do FCRJ.

As Raízes

“Para os padrões da Etiópia, minha mãe era considerada rica. Não por possuir patrimônio, mas por ter o que comer. Como ela não podia trabalhar, ajudava minha avó a fazer esculturas. Já meu pai era um pastor, que além de enfrentar a pobreza, tinha que driblar as dificuldades de ser judeu. Ele ficou órfão muito cedo e seu irmão fez um “shidder” com a minha mãe, que só o conheceu na “chupá”.

 A Fuga

“Meu pai sempre sonhou em viver em Israel. Era isso que lhe dava forças.  Um dia, ele e minha mãe se despediram da família e, junto com mais 30 pessoas, iniciaram uma perigosa rota de fuga para Israel, através do Sudão. Foram mais de 400km de travessia a pé e sempre à noite. Eles enfrentaram muitos perigos, entre eles, assaltos e agressões. O grupo não carregou nada que pudesse identificá-los como judeus, mas comemoraram o Pessach, mesmo assim, no meio do caminho. A água e a comida eram escassas e meu pai chegou a temer por todos. Mas depois de muita reza, choveu no verão (coisa muito rara naquela região), e eles conseguiram chegar no Sudão, onde disseram que estavam procurando por trabalho, para poder justificar a perigosa jornada.”

 Israel

“Após ficarem seis meses no Sudão, meus pais conseguiram, finalmente, chegar a Israel, onde foram recebidos num Centro de Absorção. A adaptação não foi fácil. Eles vinham de uma aldeia, não sabiam o que era uma cidade, uma casa, um banheiro, uma cozinha. Mas receberam muito suporte de várias organizações e, dois anos depois, eles  conseguiram comprar uma casa em Sderot.  Naquela época, viver em Sderot era tranquilo e meu conta que sempre ia a Gaza comprar coisas. Hoje em dia, viver lá está muito difícil. Eu e meus quatro irmãos nascemos em um bairro de etíopes, mas crescemos numa realidade israelense.”

 A música

“Eu fui impregnada pela música desde cedo. Desde os duros tempos da Etiópia, meu pai cantava para amenizar as dificuldades e dizia que queria ser cantor. Além disso, em Sderot a questão da música é algo muito forte. Quando eu me alistei, comecei a cantar na Banda do Exército. Foi nessa época que sugeriram que eu me inscrevesse no programa de TV. Mas eu tinha muito medo da pressão e cheguei na primeira audição sem saber ao certo se era isso que eu queria. Mas quando voltei para casa, conversei com minha família e todos me deram força. Entrei no programa e fui sendo classificada, até vencer.  Agora, estou gravando meu primeiro álbum.”

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