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Hi-tech na terra dos milagres

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Com um parque tecnológico entre os mais avançados do mundo, Israel atrai o interesse de múltis, vira palco de lançamentos de ponta, como os Audi A8 e A6, e recebe caravana de empresários brasileiros interessados em novos negócios

Por Carlos José MARQUES, de Israel (ISTOÉ)

Nas muralhas da antiga Jerusalém o comércio milenar não fornece qualquer pista do grau de avanço empresarial de Israel. Por fora delas, os sinais estão por toda parte. Nas cercanias da cidade, a poucos quilômetros daquela que é a capital religiosa dos judeus, cristãos e mulçumanos, foi erguido um dos maiores polos tecnológicos do mundo. Mais de quatro mil empresas iniciantes (start-ups) estão instaladas por ali e outras 500 estão surgindo a cada ano. A concentração de capital de risco voltado para investimento no empreendedorismo local não encontra paralelo no planeta. Por toda a vasta planície de clima árido e paisagem deserta de Israel, fabricantes como HP, Intel, Cisco, Microsoft e IBM estão produzindo o milagre da inovação.

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Chips, flash-drives e PCs são desenvolvidos em escala e criações como o mecanismo de busca do Google e o voice-email saíram diretamente da cabeça de técnicos daquele parque, que exibe uma das mais bem-sucedidas experiências de parceria entre universidades e o setor privado.  Seria um novo Vale do Silício em ascensão? De alguma maneira, sim. Com os seus centros de desenvolvimento e pesquisa exportando propostas e projetos para vários mercados internacionais, Israel está galvanizando as atenções de grandes corporações interessadas em absorver o seu know- how na área.  Não foi por menos que a fabricante de automóveis Audi escolheu justamente Israel para lançar seus modelos A8, versão limusine, e A6, com eletrônica embarcada de última geração e opcionais tecnológicos que elevam o carro ao estado da arte – o A8, por exemplo, com os seus 65 computadores de bordo, é capaz de executar comandos impensáveis, como a leitura do peso do corpo dos ocupantes para a adaptação dos assentos, e de fornecer até 12 posições de massagens ao passageiro.
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Instituto de Pesquisas Weizmann e Singer (destaque): “o sacrifício do povo está sendo vencido com a hi-tech”
“De Israel a Audi compra muitos componentes de ponta, como os radares desenvolvidos aqui que permitem que todo o perímetro do A8 seja monitorado e auxilie o motorista diante de riscos de colisão”, diz Paulo Kakinoff, o jovem presidente da Audi Brasil que está se convertendo numa espécie de garoto prodígio da indústria automobilística. Numa iniciativa já incorporada pela matriz alemã, Kakinoff, em parceria com o LIDE, de João Doria Jr., concebeu há dois anos o Audi Business Trip, um modelo de viagens de negócios que inclui desde o lançamento de novos modelos até encontros de empresários brasileiros com eventuais parceiros e autoridades locais. Uma comitiva com duas dezenas de CEOs foi levada a Israel no início do mês para uma dessas rodadas de conversas. O grupo ouviu do presidente do Banco Central israelense, Stanley Fischer, que o Brasil pode se tornar parceiro preferencial nessa estrada da tecnologia, atualmente respondendo por 49% das exportações do seu país.
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Kakinoff e o Audi com 65 computadores a bordo: compra de componentes de última geração,
como os radares para controle do perímetro do carro
A caravana, que seguiu em comboio das mil e uma noites com 26 Audi A8 pelas ruas de Tel-Aviv e Jerusalém, incluiu desde o presidente da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich, e o vice-presidente da HP, Fernando Lewis, até o chairman da Embraer Defesa & Segurança, Luiz Carlos Aguiar, e o presidente da Itautec, Mário Anseloni. Muitos deles saíram de Israel com possibilidades concretas de negócios. Aguiar finalizou os entendimentos com a israelense Elbit para uma associação no desenvolvimento do Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), que deve ser oficializada no Brasil até o mês que vem. Grubisich iniciou conversas na área de monitoramento móvel de equipamentos agrícolas, como colheitadeiras, e esteve em busca de oportunidades de parceria com o Instituto de Pesquisas Weizmann. O Weizmann é um desses centros de excelência que estão na linha de frente do que há de última palavra em termos de tecnologia.Com os seus 3,2 mil laboratórios em 91 edifícios, num complexo próximo a Tel-Aviv, o instituto conta no momento com 250 grupos de pesquisa formados por cientistas de 28 países. Eles estão agora mergulhados em experimentos que vão revolucionar diversas áreas de atividade, da medicina à engenharia eletrônica.
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Stanley Fischer, do BC israelense, e Doria JR.: o Brasil pode virar um parceiro preferencial na área de tecnologia, que já responde por 49% das exportações israelenses
Com orçamento anual de US$ 350 milhões – um terço do qual bancado pelo governo israelense –, o Weizmann se beneficiou de um programa que em meados dos anos 90 colocou Israel na dianteira do mundo hi-tech e atraiu uma onda de venture capital sem precedentes. O Programa Yozma, como foi batizado, firmou as estacas de um modelo de capital tripartite no qual empreendedores locais viabilizavam suas ideias através do incentivo oficial e da sociedade com empresas estrangeiras. Rapidamente, o parque tecnológico da jovem nação estava montado e desde então o investimento de Israel na área de pesquisa e desenvolvimento alcançou o índice de 4,5% do PIB ao ano. “Muitas coisas que as pessoas usam no dia a dia, no celular e na internet, elas não sabem, mas vêm de Israel. É um lugar em constante estado de guerra, sem nenhum recurso natural, mas cujo sacrifício do seu povo está sendo vencido com a hi-tech”, diz o especialista Saul Singer, autor do livro Nação empreendedora.
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Kakinoff, Doria e Blay: surpresa com o estágio de desenvolvimento do parque industrial local
Na primeira leva das multinacionais que desembarcaram nesse país movidas pelas condições favoráveis à expansão tecnológica está a gigante do setor de informática, HP. Hoje a empresa americana, que de modo geral figura entre as pioneiras a apostar no Oriente Médio, conta com cinco unidades de negócios e mais de seis mil empregos em Israel. A HP comprou a israelense Indigo de impressoras há dez anos e de lá para cá já vendeu produtos da marca para clientes em 120 países. Até 2016 almeja chegar a 100 bilhões de cópias com o seu selo israelense Indigo. No trabalho de ponte entre empresas brasileiras que eventualmente se interessem em associações com empreendedores israelenses, trilhando um caminho semelhante ao de americanas como a HP, está a Câmara de Comércio Brasil-Israel, presidida por Jayme Blay, que pilotou a comitiva da Audi.
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Comboio de 26 Audi A8 cruza Israel: no berço de operação de mais de quatro mil empresas start-ups
Segundo Blay, as oportunidades estão abertas e a situação é especialmente favorável a uma relação maior entre os dois países. “Tenho certeza de que os empresários brasileiros que aqui estiveram se surpreenderam com o estágio de desenvolvimento de Israel, bem como com as chances de complementaridade das duas economias e com o grande potencial de relacionamento de comércio bilateral”, diz Blay. João Doria Jr., que fala em nome de 750 empresas associadas ao LIDE e comandou o grupo, concorda com ele: “Foi um verdadeiro intercâmbio profissional e o comércio entre Brasil e Israel deverá viver um momento de forte evolução.”
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Apresentação na sede da HP israelense: meta de chegar a 100 bilhões de cópias das impressoras com o selo Indigo até 2016

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