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“Israel é vital para o povo judeu”

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Monica (à direita) ao lado de Matheus Solano, Lilian Thomer e Simone W Rothstein

Os gestos serenos e a fala pausada dão a impressão de uma certa timidez. Mas quem a ouve falar percebe logo sua segurança e determinação. A fisioterapeuta Mônica Schreiber, que recentemente assumiu a presidência do Grupo Golda Meir, do Fundo Comunitário RJ, se orgulha e faz questão de pontuar os valores judaicos que recebeu dos pais, dois imigrantes que chegaram ao Brasil ainda muito jovens. Em seu discurso de apresentação em um dos eventos do Grupo, Mônica emocionou a todos quando citou uma frase que seu pai sempre repetia: “nunca se deve deixar algum que vem nos pedir por contribuição ou ajuda, sair de mãos vazias, porque pedir não é fácil”. Foi com essa ideia em mente que a fisioterapeuta cedeu lugar na agenda para que a ativista Mônica entrasse em cena, cheia de vontade e determinação.

. Fale um pouco sobre sua profissão e sobre o seu dia a dia
– Sou Fisioterapeuta, busquei na  escola francesa, onde fiz a minha pós graduação, especializações que me trazem  “uma leitura” do corpo mais globalista, onde a causa das lesões e dores podem ser tratadas  na sua origem.  Tenho o privilégio de há mais de 30 anos, passar grande parte do dia atendendo no meu consultório, exercendo uma profissão que me é   muito prazerosa e gratificante. Esse ano, iniciei na PUC uma nova  pós graduação, na área de docência. Busco no meu dia a dia conjugar a vida profissional com a vida familiar.  Sou mãe do Michel, 21 anos, e da Sophia, 17 anos.

. O que Israel significa para você?
– Israel tem inúmeros significados para mim: a nossa Terra, a nossa Casa, o nosso País, a nossa Segurança. Israel é vital para o Povo Judeu.

. Você esteve em Israel e conheceu alguns projetos do Fundo. O que mais te sensibilizou?
– Prefiro falar do sentimento em comum que me trouxe cada um dos diferentes projetos que conheci: solidariedade, respeito, dignidade, amor.  É isso que pude sentir muito presente, tanto por aqueles que recebem o acolhimento, sejam crianças, adolescentes ou idosos, como por aqueles que se dão de forma tão plena na condução e viabilização desses  projetos .
 
. Quando e por que passou a ser ativista do Fundo Comunitário?
– Assumi a presidência do Grupo Golda Meir, da Divisão Feminina do Fundo Comunitário, no final do ano passado.  Venho de uma casa de pais imigrantes, que viveram  ainda criança e adolescente a Segunda Guerra Mundial na Europa . Cresci em uma família onde os valores e tradições judaicas estiveram muito presentes, sobretudo  na relevância  que se dava a ajuda dentro da nossa comunidade.  Meus pais , contribuintes  de várias instituições judaicas , nos diziam  que nunca se deveria deixar alguém que viesse pedir por contribuição ou ajuda, sair de mãos vazias… Justificavam, dizendo que pedir não era fácil…

. Como presidente do Grupo Golda Meir o que muda no seu sentimento como voluntária?
– Assumo, junto com as ativistas do Grupo Golda Meir, a responsabilidade de buscar conscientizar mais e mais pessoas sobre  a importância de suas contribuições. Sobre  a necessidade de suporte contínuo e eficaz a Israel,  que garanta a continuidade do nosso povo.

. De que forma fala com suas amigas sobre o trabalho desenvolvido pelo Fundo?
– Busco uma conversa que possa esclarecer a atuação do Fundo Comunitário,  tanto  aqui no Rio de Janeiro, como em Israel.  Parte expressiva da arrecadação anual fica na nossa comunidade local, fortalecendo os vínculos entre os jovens, através de ajuda às escolas, movimentos juvenis e  programas como a Marcha da Vida e o Taglit, entre outros.
Compartilho as minha impressões tão positivas ao  ter visitado,  no ano passado,  seis entre muitos projetos sociais  em que o Keren Hayessod participa. Estive em aldeias juvenis que acolhem adolescentes problemáticos, frutos de famílias desestruturadas, e que têm êxito de mais de 80% desses jovens chegando  ao exército. Visitei, ainda,  outro projeto, o  Amigur, destinado aos idosos, que sem família ou recursos  financeiros, ganham  uma moradia digna, podendo se socializar através de palestras, música, dança, e até mesmo, receber todas as manhãs, um “bom dia”, quando a assistente social bate em suas portas . Estive em um centro de absorção  que acolhe os imigrantes, dando-lhes  condições  de estabeleceram uma vida nova em Israel.  
Acabo de voltar de Budapeste, onde aconteceu a primeira parte do seminário internacional da Divisão Feminina do Fundo  Comunitário.  Assisti, em plena luz do dia, uma manifestação em praça pública do partido de extrema direita.  Em pleno 2014, o antissemitismo na Europa só faz crescer.
Contribuir para que Israel siga sendo  um país de excelência,  que dê dignidade aos que precisam de ajuda, que possa acolher a qualquer momento os  olim hadashim, e que por existir, nos permita sentir mais seguros na Diáspora. Isso faz da contribuição de cada judeu um dever. Somos todos responsáveis uns pelos outros. Essa é a filosofia básica do judaísmo.
Nesse momento de luto pelo assassinato brutal de três de “nossos filhos”, mais do que nunca, precisamos estar unidos, apoiando o nosso Povo. 

. Quais são os seus projetos para o Grupo Golda Meir?

– Não posso falar do Grupo Golda Meir, sem citar o nome da Lilian Thomer e da Simone W Rothstein . Amigas muito queridas, que sem titubear  me deram as mãos (aliás, se dão por inteiro!) desde o primeiro momento em que as convidei para seguir esse caminho junto comigo.  Hoje, somos 11 ativistas. Um grupo que cresceu baseado no desejo de oferecer às contribuintes a consciência  da amplitude das suas contribuições.  Quando você tem esse conhecimento, seu envolvimento se torna maior. E então, a vontade de divulgar isso e outras tantas, é uma consequência natural. É disso que precisamos, de  judeus compreendendo a importância da sobrevivência de Israel, para a sua  sobrevivência enquanto indivíduo e povo.