Nossa Campanha

“Nós e a Reserva somos judeus”

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rony reserva 1“O judaísmo não é um sentimento. É a minha base, a minha raiz. Não seria o que sou se não fosse a formação judaica que meus pais com tanto amor me passaram. O amor que nos une. A fraternidade. Nós e a Reserva somos judeus.”

Dono da grife de roupas que mais cresce na cidade, a Reserva, Rony Meisler começou com uma lojinha em Ipanema e hoje se transformou em uma máquina de fazer roupas.

A etiqueta, cujo símbolo é a silhueta de um pica-pau, é à imagem e semelhança do seu criador: jovem, despojada, irreverente e, claro, debochada.

.Jovem, despojado, irreverente e debochado. Pesquisando o seu perfil na internet foi o que mais encontrei. Você sempre foi assim ou esse perfil faz parte do seu marketing pessoal?

-Sempre fui o que sou, o que aprendi com meus pais e que hoje pratico na linda família que formei, tanto a pessoal como a profissional. Não há marketing no mundo que venda mais do que o fato de ser o que se é.

.Você tem entre seus sócios o apresentador Luciano Huck e o judeu ortodoxo Fernado Sigal. Como pessoas tão diferentes conseguem compartilhar de uma mesma ideia? Quem dá a palavra final?

-Penso que as pessoas só descobrem o quanto você sabe a partir do momento que percebem o quanto você – verdadeiramente – se importa com elas. Sócios, amigos, família ou funcionários. Eu me importo com as pessoas com as quais trabalho e amo as diferenças porque é com elas que eu mais aprendo. Aqui na Reserva costumo dizer que eu sou um melhor presidente (ou sorridente, como gosto que seja o título) na proporção na qual meus sócios forem melhores diretores. A função do líder é ser uma boa referência, é recorrentemente apontar o caminho da missão da empresa, ser o primeiro a dar o exemplo e, principalmente, não ter medo de errar se a intenção for acertar em seguida. A função do presidente é decidir na hora de uma bifurcação, mas quem me traz o caminho da direita ou da esquerda são meus sócios. A palavra final não existiria não fosse todo o resto da frase.
.De que forma você sente o judaísmo no dia a dia?

-O judaísmo não é um sentimento. É a minha base, a minha raiz. Não seria o que sou se não fosse a formação judaica que meus pais com tanto amor me passaram. O amor que nos une. A fraternidade. Nós e a Reserva somos judeus.

.Como você se sente em relação a Israel? Acha que nós, judeus da Diáspora, temos responsabilidade com o Estado de Israel, assim como os judeus que vivem em outros países?

-Sem dúvidas. Num mundo horizontal e com rápido transito de informação, acho que Israel é péssimo no sentido de informar as coisas, trabalha muitissimo mal seu relacionamento público. Neste mundo a informação é o maior e mais caro dos produtos. Por isso, além da questão financeira, os judeus da diáspora, quando influentes, se manifestam muito pouco no sentido de disseminar os fatos para combater os factóides antissemitas que dia após dia acabam rolando. Eu, através das minhas mídias, me manifesto recorrentemente na tentativa de contar a minha visão dos fatos de forma mais isenta possível. Uma boa iniciativa seria  criar um grupo fechado no Facebook para judeus influentes. Seriam postadas matérias curtas e informativas e os chamariam para o engajamento em suas mídias sociais.
 
.E como vê o trabalho do Fundo Comunitário em prol da comunidade judaica aqui no Rio de Janeiro e também para a sociedade israelense?

 -Vejo com muita simpatia, mas se pudesse sugerir algo: na cabeça do jovem judeu, o Fundo Comunitário é um produto com o qual ele se relacionará quando ficar mais velho e tiver dinheiro. E digo isso porque alguma vez na vida eu fui jovem no Rio (risos). Uma política com mais sex appeal para engajamento jovem é uma boa prática.

. A marca Reserva surgiu a partir de que ideia?

-Eu e o Fernando Sigal estávamos na academia e percebemos que cinco homens vestiam exatamente o mesmo modelo de bermuda. Criamos então um modelo de bermuda com o slogan “be yourself but not always the same”. Vendemos boa parte e logo partimos para criar uma coleção com mais itens, que também esgotaram logo. Decidimos manter o projeto da marca em paralelo com nossos empregos, e isso durou cerca de um ano até que abrimos um ateliê e passamos a nos dedicar exclusivamente ao negócio, que no início vendia apenas no atacado.

. O que você gosta mais de fazer no seu trabalho: produção, criação ou barulho?

-Eu gosto é de sacudir a galera. De estar com eles, de trocar ideias, de nos guiar ao processo contínuo de reinvenção.  Eu sou outsider no meu segmento e amo ser outsider, amo pensar como um outsider e o dia em que eu for e pensar como insider a Reserva morre.  Neste momento, por exemplo, estou liderando um enorme brainstorming que norteará os próximos 10 anos da marca.