Nossa Campanha

Sidney Levy, o executivo dos Jogos Olímpicos 2016

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Diretores Rio 2016
A Copa 2014  terminou e um novo desafio bate em nossas portas: a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016, no Rio de Janeiro. Só que desta vez, não será todo o país que irá se mobilizar, mas apenas o Rio de Janeiro, que receberá, pela primeira vez, em toda a sua história, 11 mil atletas de 204 países.

O Comitê Organizador Rio 2016 foi buscar no mercado financeiro o profissional que irá encabeçar a organização dos Jogos: o engenheiro de produção Sidney Levy. Carioca de Copacabana, Sidney é presidente do Conselho de Administração da Valid e conselheiro da Cedae, Ediouro Publicações e Ancar Shoppings.

O desafio de realizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos com sucesso não é uma tarefa fácil, mas Sidney explica que tudo é uma questão organizacional e, por isso, foi convidado pelo Presidente do Conselho do COI, Carlos Arthur Nuzman, coordenador político e esportivo dos Jogos.

. Você é um homem ligado aos esportes? Como surgiu o convite para este importante cargo?
– Não sou nada ligado à prática esportiva, muito pelo contrário, nunca pratiquei esportes, a não ser lá atrás, na minha adolescência quando frequentava o CIB e a Hebraica, mas não passou disso. A minha tarefa nos Jogos 2016 é totalmente empresarial, pois preciso administrar 7 bilhões de reais que é o orçamento gerado pelos grupos privados parceiros das Olimpíadas. São 8 mil pessoas envolvidas nas mais diversas áreas e é preciso que nos 45 dias de jogos tudo funcione perfeitamente, desde a presença dos atletas até a locomoção dos 35 mil jornalistas que estarão no Rio, cobrindo o evento.Tenho uma carreira longa à frente da Valid, uma empresa aberta na Bolsa de Valores e na qual sou o presidente do Conselho.

.Se o orçamento das Olimpíadas é de origem empresarial, este evento é da iniciativa privada?
– É um evento onde a Prefeitura trabalha em conjunto com as empresas privadas. O orçamento de 7 bilhões não é dado só em dinheiro, boa parte vem em serviços. Nós temos, por exemplo, um grupo especialista em crachás, 100 arquitetos projetando as estruturas temporárias e especialistas em cada esporte. A Olimpíada terá 28 campeonatos que estarão acontecendo ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Não é igual à Copa do Mundo, onde cada jogo acontece separadamente e em cidades diferentes.

.O Rio está preparado para receber tantos turistas?
– Estamos nos preparando desde 2010 e a Copa deste ano foi um teste para 2016, uma vez que colocamos 100 técnicos em diversos pontos das cidades para analisar os erros e nos retornar com um relatório. Vamos receber 35 mil jornalistas, 11 mil atletas de 204 países, além de ter que dar condições técnicas de 8 a 10 canais de TV, sendo que a NBC tem a exclusividade da transmissão. Vamos ter que  oferecer acomodações e transporte aos jornalistas e para isso teremos que disponibilizar 2 mil ônibus. É um trabalho grandioso que nunca foi feito nesta cidade. Fizemos, recentemente, um encontro com os representantes da imprensa mundial e só neste evento vieram 350 pessoas. Tudo é em grande dimensão.

.Qual o esporte que requer maior atenção do Comitê?
– A Vela, pois os atletas são bem exigentes, principalmente com a qualidade da água na Baía de Guanabara. Aliás neste esporte contamos com o apoio do Comitê Olímpico de Israel. O israelense Alex Gilady é membro deste Comitê e é também um grande amigo. Ele é o principal acionista da primeira empresa de TV privada em Israel.

.O desafio do Rio de Janeiro é grande. Por que assumir este risco?
– Porque é uma oportunidade única de promoção mundial de nossa cidade. Poder mostrar que um grupo de brasileiros pode realizar um trabalho desta envergadura com competência e transparência. Seguindo o exemplo do que aconteceu em Barcelona, na Espanha, a cidade muda sua estrutura, se organiza e é sem dúvida uma missão importante para o nosso país.

.Como você se tornou um contribuinte do Fundo Comunitário do RJ?
Ainda morava na casa da minha mãe quando uma senhora do Fundo Comunitário ligou me parabenizando pela formatura. Em seguida, disse que a partir daquela data era importante que eu me tornasse um contribuinte. Meus pais não tinham condições financeiras, mas mesmo assim sempre davam um jeito de contribuir, mesmo que com uma pequena quantia. Seguindo este exemplo, comecei a colaborar até o ano de 1990, quando me mudei para o exterior. Após 4 anos, voltei a morar no Brasil e fui reconduzido ao Fundo, pelo Ilan Gorin.

. E porque ser um contribuinte do Fundo Comunitário do RJ?
Eu tive a oportunidade de conhecer o trabalho social que o Fundo Comunitário e o Keren Hayesod realizam em Israel e isto é um grande motivador. Devemos estar sempre apoiando os projetos, principalmente nos momentos atuais de emergência. Acho que o judeu da diáspora é responsável pelo Estado de Israel , isso faz parte de ser judeu. É uma consequência direta.

.Como você aplica sua formação judaica no trabalho?
O judeu desenvolve a educação para se aperfeiçoar ao máximo no entendimento global. Essa bagagem judaica nos impede de seguir a corrente, que é o caminho mais fácil. Nós judeus queremos mais, queremos entender o que estão nos apontando e é este olhar questionador que faz toda a diferença.  

.Como a família encarou o convite?
Sou casado e tenho dois filhos que moram e trabalham nos Estados Unidos. Minha filha fala comigo em inglês. Ela disse que esse seria the coolest job – o trabalho mais bacana – Fico muito feliz com o apoio deles.
Só se faz uma olimpíada, um evento tão grande como esse, num esforço colaborativo. Nesse cenário não há heróis além dos atletas.

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