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Uma brasileira no Yom Hazikaron

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Nem líderes nem governantes eram importantes. No Yom Hazikaron, o que interessava eram os milhares de túmulos de mortos de diferentes guerras.

DEBORA FISZMAN

Hoje é Yom Hazikaron.

Hoje é o dia de recordar os soldados caídos nas guerras e as vítimas de atentados.

Hoje é um dia que eu não vou esquecer para o resto da minha vida.

Ontem foi Erev. Fomos a uma cerimônia do Masa. Foi emocionante, porém, era totalmente direcionada para nós, estrangeiros, madrichim, etc.

Hoje tocou a sirene às 11 horas da manhã.

Fomos para o Har Herzl. Lá estão enterrados grandes lideres Herzl, Rabin e Golda Meir.

Hoje eles não foram importantes.

Hoje, o que interessava eram os milhares de túmulos de mortos de diferentes guerras: 48, Yom Kippur, Líbano, etc.

No mesmo lugar acontecia uma cerimônia onde o primeiro ministro estava presente. Mas isso não foi prioridade.

Primeiramente, aprendemos que o Exército envia uma carta para cada soldado.

Cada soldado recebe um túmulo para cuidar no dia de hoje. Assim, ninguém fica sozinho nesse dia. O soldado deve ir, colocar uma bandeira de Israel com um laço preto e cuidar daquele tumulo, independentemente se a família ainda existe, está presente ou não.

 

Ninguém será esquecido no dia de hoje, mas, sim, todos serão lembrados e homenageados.

 

Dessa forma, ficamos entre o povo. A primeira cena que vi ao chegar foi de uma mulher “arrumando” um túmulo. Ela tocava as flores com tanto carinho… Logo me vieram imagens … de uma mãe arrumando a cama do filho, uma irmã arrumando o irmão.

Ela sorriu para nós e conversamos em espanhol. Contou que aquele era o tumulo do irmão do seu marido e que perto dali estava o tumulo do primo do marido. Falou também que estava muito emocionada, que em nenhum outro lugar estariam todos de branco, juntos, relembrando e homenageando dessa forma. Ela então nos agradeceu por estar ali.

Uma amiga estava em um túmulo sozinha. Um homem se aproximou e falou: esse é meu sobrinho. A minha filha esta lá longe. Será que na hora da sirene você poderia tomar conta dele para mim, enquanto estou com o túmulo da minha filha? E assim, ela tornou-se responsável pela lembrança de um desconhecido que nunca mais será esquecido entre nós.

 

O momento especial é a sirene. Dura 2 minutos. Quando toca, parece que tudo para.

 

É um barulho que penetra mas ao mesmo tempo é um silencio total. Depois da sirene vieram duas rezas. O que toca é ver mães, irmãos, amigos… Mas, principalmente, crianças e soldados. Um dia, quando essas crianças chegarem aos 18 anos, serão elas a lutar para defender este Estado. O que por um lado é um orgulho, não deixa de ser triste… Até quando? Quando poderemos dizer: “esse não vai precisar ir para a guerra” _ e realmente será verdade?

Nos soldados, o que toca é o fato de eles nos parecem uma proteção, heroicos, fortes… e em um momento como este se tornarem homens normais e frágeis, que se emocionam, choram e têm medo.

Na entrada, jovens dão flores para colocarmos nos túmulos. Eu decidi que queria colocar as minhas em um lugar onde estão aqueles que não foram reconhecidos. Como estava muito cheio, não consegui chegar a este lugar.

Decidi, então, ir para o setor da guerra de 48, por ter sido há mais tempo, haver menos familiares, etc. Vi um tumulo sozinho com uma flor somente. Moshe Levi. Coloquei minhas flores e escutei o Hatikva.

Não sei sua historia, o que fez, se tinha pai, mãe, irmão, filho… Bom, nesse Yom Hazikaron ele tinha minhas flores e minha homenagem.

Acho que até agora não tinha me sentido tão em Israel. Isso é Israel. E sim, identificação, e sim, um povo, cultura e religião. E por isso que todos eles, 22.993, morrem por este Estado. Infelizmente alguém pagou o preço para que amanhã a gente possa comemorar a independência e a existência do nosso Estado judeu.

Espero que vocês consigam sentir um pouco desse dia. Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida.

 

 

Debora Fiszman, carioca de 18 anos, cursa Direito na FGV e está fazendo Shnat pela Chazit.

 

 

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